sábado, 15 de novembro de 2008

Ernani Maurício Fernandes

O meu segredo
é que não vivo em depressão
com os males do Mundo.

Implosão de Pandora

Nanno Giganthy

Sumário
Apresentação

Introdução

Prometeu e Caixa de Pandora

Adão e Eva – Lilith

O Mal da Humanidade
Inquisição
Peste Negra
Divina Comédia - Dante Alighieri
Fausto de Goethe
O processo de Kafka
Holocausto
Bomba Atômica - Hiroxima e Nagazaki
11 de setembro de 2001

O meu segredo
é que não vivo em depressão
com os males do Mundo.

Implosão de Pandora

1- Angústia
2- Dúvida
3- Perseguição
4- Traição
5- Produto da Falsificação
6- Destruição em Massa
7 - Violência
8 - Agonia
9 – Fim do Mundo
10- Alienação
11 - Cinismo
12 - Terrorismo religioso
13- Terrorismo filosófico
14- Terrorismo político econômico social
15 – Pessimismo
16- Intolerância
17- Alienação II
18- Fundamentalismo
19- Aparthaid
20 – Hipocrisia
21- Terceira Grande Guerra Mundial
22- Rebeldia Dylanesca





Apresentação


O meu segredo
é que não vivo em depressão
com os males do Mundo.

Implosão de Pandora


A minha vida é assim:
Sempre
vivo no limite
da riqueza entre a pobreza.

Faz parte do meu karma.

Sofro a pressão
das classes dominantes
e a opressão nas classes dominadas.

O meu sonho de equilíbrio social
não tem nenhum valor.

O que prevalece é a lei do cão.

Ridiculamente
Sou um utópico
que insiste no extermínio da miséria.

Sou um pobre sonhador
que crê na filosofia
da ética humana.

Mas não sou idiota!

Sou,
muitas vezes,
escarniado pelos meus propósitos,
mas não me incomodo,
estou certo
de que alguém tem que ser assim,
por que não sou idiota.

E assim,
eu tenho o meu segredo,
de que não vivo em depressão
com os males do Mundo.

Nem Hitler,
nem Stalin,
nem Churchill,
nem De Gaulle,
nem Hiroito,
nem Mussolini,
nem Roosevelt,
tiraram a minha esperança.

Nem o napalm do Vietnã,
nem o assassinato de Che Guevara,
nem as crises dos petrodólares,
sucumbiram com a minha esperança.

Nem a Guerra das Estrelas de Reagan
e a queda da Cortina de Ferro
sumiram com a minha esperança.

Nem a Guerra do Golfo
e Saddam Houssein,
o Estado de Israel e da Palestina
acabaram com a minha esperança.

Nem o FMI e a ALCA
desaparecem com a minha esperança.

Nem a estupidez de George Bush
e o terror de Osama Bin Laden
afastam a minha esperança.

Nem as explosões nucleares,
as guerras bioquímicas degradáveis,
o aquecimento global,
a praga da AIDS
podem destruir a minha esperança.

É assim
como eu penso,
tenho um segredo
que não vivo em depressão
com os males do Mundo.

III

Não é porque,
sou solitário,
que não seja solidário
com a causa humana.

Não é porque,
sou esquizofrênico
incorrigível ,
que eu seja um bárbaro
inconcebível.

Não é porque,
não tenho dinheiro
que serei um assaltante
inconseqüente.

Não é porque,
o tempo me mata
que serei um assassino
do meu tempo.
Vivo assim
com o meu segredo secreto
de não viver em depressão
com os males do mundo.

Aqui e agora
é que se encontra
a razão deste livro.

Implosão de Pandora.

Um poema trágico
como a morte em vida.

Assumo em mim
a poesia da tragédia
do nosso tempo.

IV

Clamo por Homero,
por Hesíodo,
por Ésquilo,
por Dante,
por Shakespeare,
por Goethe,
por Augusto dos Anjos,
por Nelson Rodrigues,
por Pasolini,
por Bergman,
por Woody Allen.

Clamo pela Alegria
como a obscuridade da Tragédia.

Quero que tu, leitor,
sejas um cúmplice
da minha tristeza pelo Mundo,
como as canções doloridas do Blues,

ou
cúmplice das alegrias
com as canções
do mestre baiano Dorival Caymmi.

Como dizia Vinicius de Morais:
É preciso um bocado de Tristeza
Senão, não faz um samba, não.

ou mesmo
cúmplice na ferocidade juvenil
dos Rolling Stones
que vi nas areias de Copacabana.

Sou assim mesmo
sempre admirei Jorge Ben
desde quando apresentou
Charles Anjo 45.

Tenho certeza de que Franz Kafka,
também, iria ficar admirado!

A questão
é que o Nada é o tudo na Vida.

Amo a Vida.

Por isso
não vivo em depressão
com os males do Mundo.

Nanno Giganthy - 2006


1- Introdução

A História Humana demonstra que o Poder sobrevive em função da existência da Tragédia. Em que a Caixa de Pandora guarda os males do Mundo. Esta é a razão principal deste livro – Implosão de Pandora - O meu segredo é que não vivo e depressão com os males do Mundo.
Os problemas do mal e dos atos considerados contrários aos preceitos divinos ocupam lugar central na doutrina cristã e teve influência determinante na elaboração discursiva do medievo. O pecado encontra-se na reflexão de teólogos, filósofos, moralistas, pregadores, mas também em obras literárias e testemunhos iconográficos cristãos. A definição de Santo Agostinho, segundo a qual o pecado é "uma palavra, uma ação ou um desejo contrário à lei divina" (Contra Faustum, XX, 27) teve ampla aceitação entre os letrados, e a idéia do pecado motivou a produção de gêneros textuais variados (Libri paenitentiales, Summae confessorum) e o estabelecimento de gradações, distinções, enfim, classificações sobre os tipos, as formas, as relações entre atos e pensamentos pecaminosos.
A lista dos pecados capitais foi esboçada pelos primeiros pensadores cristãos, aperfeiçoada no século V por João Cassiano e fixada definitivamente por Gregório Magno, no fim do século VI. Este esquema baseava-se na existência de sete pecados principais, hierarquicamente organizados num grande exército, onde o orgulho (superbia) exercia a função de comandante supremo, seguido dos seis outros vícios, quer dizer, a inveja (invidia), a cólera (ira), a tristeza ou preguiça (accidia), a avareza (avaritia), a gula e a luxúria, os quais, por sua vez, conduziam uma multidão de pecados secundários.
Embora tivessem existido outras formas de classificação (a divisão entre pecados mortais e veniais; pecados de pensamentos, palavras ou obras), a dos pecados capitais foi a mais difundida e a que mais exerceu influência na cultura medieval.
Deste modo, na Idade Média a concepção do tempo, a organização do espaço, os elementos que integravam os sistemas de valores, toda a vida e visão de mundo giravam em torno da presença do pecado. A esta "cultura do pecado" pode-se associar um complexo de práticas penitenciais bem como o desenvolvimento da idéia e prática da confissão, que conheceu grande desenvolvimento a partir do século XIII.
Jean Lauand diz em sua doutrina sobre os pecados capitais - ou vícios capitais -, Tomás de Aquino repensa a experiência acumulada sobre o homem ao longo de séculos.
De acordo com o livro Sacred Origins of Profound Things ("Origens Sagradas de Coisas Profundas"), de Charles Panati, o teologista e monge grego Evagrius de Pontus (345 d.C. – 399 d.C.) teria escrito uma lista de oito crimes e "paixões" humanas: gula, luxúria, avareza, melancolia, ira, acedia (preguiça espiritual), vaidade e orgulho – em ordem crescente de gravidade.
Para Evagrius, os pecados ficavam piores à medida que se tornavam mais egocêntricos, com o orgulho como supra-sumo dessa fixação do ser humano em relação a ele mesmo. No final do século VI d.C., o Papa Gregório reduziu a lista a sete itens, trocando "vaidade" por "orgulho", "acedia" por "melancolia" e adicionando "inveja". Para fazer seu próprio ranking, o pontífice colocou em ordem decrescente os pecados que mais ofendiam ao amor: orgulho, inveja, ira, melancolia, avareza, gula e luxúria.
Mais tarde, outros teólogos como São Tomás de Aquino analisaram novamente a gravidade dos pecados e fizeram mais uma lista. No século XVII, a Igreja substituiu "melancolia" – um pecado vago demais – por "preguiça". Assim, hoje os sete pecados capitais são gula, avareza, orgulho, luxúria, preguiça, ira e inveja.

Prometeu e Caixa de Pandora.

Desta forma a figura trágica e rebelde de Prometeu, símbolo da Humanidade, constitui um dos mitos gregos mais presentes na cultura ocidental. Filho de Jápeto e Clímene – ou da nereida Ásia ou ainda de Têrmis, irmã de Cronos, segundo outras versões – Prometeu pertencia à estirpe dos Titãs, descendentes de Urano e Gaia, inimigos dos deuses olímpicos.

O gigante sabia que sobre a Terra estava adormecida a semente dos céus. Por isso, apanhou um bocado de argila e molhou com um pouco de água de um rio. Com essa matéria, fez o Homem, à semelhança dos deuses, para que fosse o senhor da Terra. Tomou, das almas dos animais, características boas e más, animando sua criatura. E Atena, deusa da Sabedoria, admirou a criação do filho dos Titãs e insuflou na imagem de argila o espírito, o sopro divino. Foi assim que surgiram os primeiros seres humanos, que povoaram a Terra.

Faltava-lhes, porém, o conhecimento sobre assuntos da terra e do céu. Vagavam sem conhecer a arte da construção, da agricultura, da filosofia. Não sabiam caçar ou pescar – e nada sabiam sobre sua origem divina. Prometeu aproximou-se e ensinou às suas criaturas todos esses segredos. Inventou o arado para que o homem pudesse plantar, a cunhagem das moedas para que comerciasse, a escrita e a mineração. Ensinou-lhes a arte da profecia e da astronomia, enfim, todos os instrumentos necessários ao desenvolvimento da Humanidade. Faltava-lhes, ainda, um último dom para que pudessem se manter vivos: o fogo.

Porém, este dom havia sido negado à Humanidade pelo grande Zeus. Prometeu, no entanto, tomou um caule do nártex, aproximou-se da carruagem de Febo (o Sol) e o incendiou. Com esta tocha, Prometeu entregou o fogo à Humanidade, o que lhe dava a possibilidade de dominar o mundo e seus habitantes. Zeus, porém, irritou-se ao ver que o Homem possuía o fogo e que sua vontade fora contrariada.

Assim, tramou, no Olimpo, a sua vingança. Mandou que Hefaístos fizesse uma estátua de uma linda donzela, dando-lhe o nome de Pandora, “a que possui todos os dons”, pois cada deus concedeu a ela um dom. Afrodite deu-lhe a beleza, Hermes, o dom da fala e Apolo, a música. Vários outros encantos foram concedidos à criatura pelos deuses. Zeus pediu que cada um ainda reservasse um mal para a Humanidade.

Esses presentes malignos foram guardados numa caixa, que a donzela levaria consigo. Pandora, então, desceu à Terra, conduzida por Hermes e aproximou-se de Epimeteu, “aquele que pensa depois”, irmão de Prometeu, “o que pensa antes” e, diante dele, abriu a tampa da caixa dada por Zeus.

Foi então que a Humanidade, que até aquele momento havia habitado um mundo sem doenças ou sofrimentos, viu-se assaltada por inúmeros males. Pandora conseguiu fechar a caixa antes que o único benefício que havia ali escapasse: a Esperança. Zeus dirigiu, então, sua fúria contra Prometeu, ordenando que Hefaístos e seus servos, Crato e Bia (o poder e a violência), acorrentassem o Titã a um despenhadeiro do Monte Cáucaso. Enviou, ainda, uma águia para devorar seu fígado, que, por ser um titã, regenerava-se todos os dias.

Seu sofrimento durou várias eras, até que Hércules passou por ali e constatou o sofrimento do gigante. Abateu a gigantesca águia com uma flecha e libertou o cativo de suas correntes. Entretanto, para que Zeus continuasse sendo satisfeito em sua vontade, o gigante passou a usar um anel com uma pedra retirada do monte. Assim Zeus poderia dizer que Prometeu continuaria atado ao Cáucaso.

Na Grécia, havia altares consagrados ao culto de Prometeu, sobretudo, em Atenas. Nas lampadofórias (festas das lâmpadas), reverenciavam-se, ao mesmo tempo, a Prometeu, que roubara o fogo do céu, a Hefesto, deus do fogo e a Atena, que ensinou ao homem a extrair o óleo de oliva.

A tragédia “Prometeu acorrentado”, de Ésquilo, foi a primeira a apresentá-lo como um rebelado contra a injustiça e a onipotência divina, imagem particularmente apreciada pelos poetas românticos, que viram nele a encarnação da liberdade humana, que faz com que o Homem enfrente com orgulho seu destino.

Prometeu significa etimologicamente “o previdente”. O mito, além de sua repercussão literária e artística, tem também ressonância profunda entre os pensadores. Simboliza o Homem que, para beneficiar a Humanidade, enfrenta o suplício inexorável a grande luta das conquistas civilizadoras e da propagação de seus benefícios à custa de sacrifício e sofrimento.

Na mitologia grega, Pandora ("bem-dotada") foi a primeira mulher, criada por Zeus como punição aos homens pela ousadia do titã Prometeu em roubar aos céus o segredo do fogo. Em sua criação os vários deuses colaboraram com partes; Hefestos moldou sua forma a partir de argila, Afrodite deu-lhe beleza, Apolo deu-lhe talento musical, Deméter ensinou-lhe a colheita, Atena deu-lhe habilidade manual, Poseidon deu-lhe um colar de pérolas e a certeza de não se afogar, e Zeus deu-lhe uma série de características pessoais, além de uma caixa, a caixa de Pandora.

Caixa de Pandora é uma expressão utilizada para designar qualquer coisa que incita a curiosidade, mas que é preferível não tocar (como quando se diz que "a curiosidade matou o gato"). Tem origem no mito grego da primeira mulher, Pandora que, contra as indicações que lhe tinham dado, teria aberto um recipiente (há polêmica quanto à natureza deste, talvez uma panela, um jarro, um vaso...) onde se encontravam todos os males que desde então se abateram sobre a humanidade, ficando apenas a esperança no fundo do recipiente.

Existe algumas semelhanças com o mito judaico-cristão de Adão e Eva onde a mulher é, também, responsável pela desgraça do género humano.

Segundo a lenda grega, Prometeu criou o homem de argila e roubou a chama sagrada de Hélio (Deus Sol) para dar-lhe o sopro da vida. O intuito era que o homem ajudaria a cuidar de sua mãe Gáia (Terra). Porém, o homem também era imortal e assexuado, reproduzindo-se de forma rápida. Prometeu é preso e condenado a ficar acorrentado no alto de uma montanha, onde todos os dias uma águia gigante vem comer-lhe as vísceras que são regeneradas a noite...desta forma Prometeu está fadado a sentir dores por toda eternidade.

Antes porém, ele deixa uma caixa contendo todos os males que podem atormentar o homem com seu irmão Epmeteu, pedindo que ninguém se aproxime da mesma. Os homens começam a desvastar a Terra e os deuses se reunem e criam uma mulher. Esta- batizada como Pandora - é incumbida de seduzir Epmeteu e abrir a caixa.

Naquela época os deuses ainda não moravam no Olimpo, mas sim em cavernas. Epmeteu colocou duas gaiolas com gralhas no fundo da caverna e a caixa entre elas, para que, caso alguém chegasse perto, as gralhas fariam um barulho insuportável, alertando Epmeteu.

Pandora o seduziu de tal forma, que conseguiu convencê-lo a tirar as gralhas da caverna, sob o pretexto que tinha medo. Após terem se amado, Epmeteu caiu em sono profundo, Pandora foi até a caixa e abriu. Um vortéx de males tais como: a mentira, doenças, inveja, velhice, guerra, morte...sairam da caixa de forma tão assustadora que ela teve medo e fechou antes que saisse a última delas: o mal que acaba com a esperança.


Esta é uma das explicações dada pela mitologia grega sobre os males da Humanidade podemos encontrar na mitologia semítica a expulsão de Adão e Eva do Paraíso.


Adão e Eva - Lilith

O primeiro capitulo da Bíblia, conta a história de Adão e Eva ...mas segundo o Zohar (comentário rabínico dos textos sagrados), Eva não é a primeira mulher de Adão. Quando Deus criou o Adão, ele fê-lo macho e fêmea, depois cortou-o ao meio, chamou a esta nova metade Lilith e deu-a em casamento a Adão. Mas Lilith recusou, não queria ser oferecida a ele, tornar-se desigual, inferior, e fugiu para ir ter com o Diabo. Deus tomou uma costela de Adão e criou Eva, mulher submissa, dócil, inferior perante o homem.
O mito de Lilith pertence à grande tradição dos testemunhos orais que estão reunidos nos textos da sabedoria rabínica definida na versão jeovística, que se coloca lado a lado, precedendo-a de alguns séculos, da versão bíblica dos sacerdotes. Sabemos que tais versões do Gênesis - e particularmente o mito do nascimento da mulher - são ricas de contradições e enigmas que se anulam.
No Talmude, ela é descrita como a primeira mulher de Adão. Ela brigou com Adão, reivindicando igualdade em relação a seu marido, deixando-o "fervendo de cólera". Lilith queria liberdade de agir, de escolher e decidir, queria os mesmos direitos do homem mas quando constatou que não poderia obter status igual, se rebelou e, decidida a não submeter-se a Adão e, a odia-lo como igual, resolveu abandona-lo.
Segundo as versões aramaica e hebraica do Alfabeto de Ben Sirá (século 6 ou 7). Todas as vezes em que eles faziam sexo, Lilith mostrava-se inconformada em ter de ficar por baixo de Adão, suportando o peso de seu corpo. E indagava: "Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual." Mas Adão se recusava a inverter as posições, consciente de que existia uma "ordem" que não podia ser transgredida. Lilith deve submeter-se a ele pois esta é a condição do equilíbrio preestabelecido.
Vendo que o companheiro não atendia seus apelos, que não lhe daria a condição de igualdade, Lilith se revolta, pronuncia nervosamente o nome de Deus, faz acusações a Adão e vai embora; é o momento em que o Sol se despede e a noite começa a descer o seu manto de escuridão soturna, tal como na ocasião em que Jeová-Deus fez vir ao mundo os demônios.
Adão sente a dor do abandono; entorpecido por um sono profundo, amedrontado pelas trevas da noite, ele sente o fim de todas as coisas boas. Desperto, Adão procura por Lilith e não a encontra: Procurei-a em meu leito, à noite, aquele que é o amor de minha alma; procurei e não a encontrei" (Cântico dos Cânticos III, 1).
Lilith partiu rumo ao mar vermelho. Lá onde habitam os demônios e espíritos malignos, segundo a tradição hebraica. É um lugar maldito, o que prova que Lilith se afirmou como um demônio, e é o seu caráter demoníaco que leva a mulher a contrariar o homem e o questionar em seu poder.
Desde então, Lilith tornou-se a noiva de Samael, o senhor das forças do mal do Outro Lado . Como conseqüência, deu à luz toda uma descendência demoníaca, conhecida como "Liliotes ou Linilins", na prodigiosa proporção de cem por dia.
Alguns escritos contam que Adão queixou-se a Deus sobre a fuga de Lilith e, para compensar a tristeza de Adão, Deus resolveu criar Eva, moldada exatamente como as exigências da sociedade patriarcal. A mulher feita a partir de um fragmento de Adão. É o modelo feminino permitido ao ser humano pelo padrão ético judaico-cristão.
A mulher submissa e voltada ao lar. Assim, enquanto Lilith é força destrutiva (o Talmude diz que ela foi criada com imundície e lodo), Eva é construtiva e Mãe de toda Humanidade (ela foi criada da carne e do sangue de Adão).
Jehová-Deus tenta salvar a situação, primeiro ordenando-lhe que retorne e, depois, enviou ao seu encalço uma guarnição de três anjos, Sanvi, Sansavi e Samangelaf, para tentar convencê-la; porém, uma vez mais e com grande fúria, ela se recusou a voltar. Lilith está irredutível e transformada. Ela desafiou o homem, profanou o nome do Pai e foi ter com as criaturas das trevas. Como poderia voltar ao seu esposo? Os anjos ainda ameaçaram: "Se desobedeces e não voltas, será a morte para ti."
Lilith , entretanto, em sua sapiência demoníaca, sabe que seu destino foi estabelecido pelo próprio Jeová-Deus. Ela está identificada com o lado demoníaco e não é mais a mulher de Adão. Acasalando-se com os diabos, Lilith traz ao mundo cem demônios por dia, os Lilim, que são citados inclusive na versão sacerdotal da Bíblia.
Jeová-Deus, por seu lado, inicia uma incontrolável matança dessas criaturas, que, por vingança, são enfurecidas pela sua genitora. Está declarada a guerra ao Pai. Os homens, as crianças, os inválidos e os recém-casados, são as principais vítimas da vingança de Lilith. Ela cumpre a sua maligna sorte e não descansará assim tão cedo.
Uma outra versão diz que foram os anjos que mataram os filhos que tivera com Adão. Tão rude golpe transformou-a, e ela tentou matar os filhos de Adão com sua segunda esposa, Eva.
Lilith Alegou ter poderes vampíricos sobre bebês, mas como os anjos a queriam impedir, fizeram-na prometer que, onde quer que visse seus nomes, ela não faria nenhum mal aos humanos. Então, como não podia vencê-los, ela fez um trato com eles: concordou em ficar afastada de quaisquer bebês protegidos por um amuleto que tivesse o nome dos três anjos.
Não obstante, esse ódio contra Adão e contra sua nova (e segunda) mulher, Eva, resultou, para Lilith, no desabafo da sua fúria sobre os filhos deles e de todas as gerações subseqüentes.
A partir daí, Lilith assume plenamente sua natureza de demônio feminino, voltando-se contra todos os homens, de acordo com o folclore assírio, babilônico e hebraico. E são inúmeras as descrições que falam do pavor de suas investidas. Conta-se, por exemplo, que Lilith surpreendia os homens durante o sono e os envolvia com toda sua fúria sexual, aprisionando-os em sua lasciva demoníaca, causando-lhes orgasmos demolidores. Ela montava-lhes sobre o peito e, sufocando-os (pois se vingava por ter sido obrigada a ficar "por baixo" na relação com Adão), conduzia a penetração abrasante. Aqueles que resistiam e não morriam ficavam exangues e acabavam adoecendo. Por isso Lilith também está identificada com o tradicional vampiro. Seu destino era seduzir os homens, estrangular crianças e espalhar a morte.
Durante os primeiros séculos da era cristã, o mito de Lilith ficou bem estabelecido na comunidade judaica. Lilith aparece no Zohar, o livro do Esplendor, uma obra cabalística do século 13 que constitui o mais influente texto hassídico e no Talmude, o livro dos hebreus. No Zohar, Lilith era descrita como succubus, com emissões noturnas citadas como um sinal visível de sua presença. Os espíritos malignos que empesteavam a humanidade eram, acreditava-se, o produto de tais uniões.
No Zohar Hadasch, está escrito que Samael - o tentador - junto com sua mulher Lilith, tramou a sedução do primeiro casal humano.
Não foi grande o trabalho que Lilith teve para corromper a virtude de Adão, por ela maculada com seu beijo; o belo arcanjo Samael fez o mesmo para desonrar Eva: E essa foi a causa da mortalidade humana.
O Talmude menciona que "Quando a serpente envolveu-se com Eva, atirou-lhe a mácula cuja infecção foi transmitida a todos os seus descendentes... ". Em outras partes, o demônio masculino leva o nome de Leviatã, e o feminino chama-se Heva.
Essa Heva, ou Eva, teria representado o papel da esposa de Adão no éden durante muito tempo, antes que o Senhor retirasse do flanco de Adão a verdadeira Eva (primitivamente chamada de Aixha, depois de Hecah ou Chavah). Das relações entre Adão e a Heva-serpente, teriam nascido legiões de larvas, de súcubos e de espíritos semiconscientes (elementares).
Os rabinos fazem de Leviatã uma espécie de ser andrógino infernal, cuja a encarnação macho (Samael) é a "serpente insinuante" e a encarnação fêmea (Lilith), é a "cobra tortuosa" . Segundo o Sepher Emmeck-Ameleh, esses dois seres serão aniquilados no fim dos tempos: "Nos tempos que virão o Altíssimo (bendito seja!) decapitará o ímpio Samael, pois está escrito (Is. XVII, 1): 'Nesse tempo Jeová com sua espada terrível visitará Leviatã, a serpente insinuante que é Samael e Leviatã, a cobra tortuosa que é Lilith' (fol. 130, col. 1, cap.XI).
Também segundo os rabinos, Lilith não é a única esposa de Samael; dão o nome de três outras: Aggarath, Nahemah e Mochlath. Mas das quatro demônias, só Lilith dividirá com o esposo a terrível punição, por tê-lo ajudado a seduzir Adão e Eva. Aggarath e Mochlath tem apenas um papel apagado, ao contrário do que acontece com as outras duas irmãs, Nahemah e Lilith.

O Mal da Humanidade

A origem do mal tem intrigado os pensadores desde os tempos mais primitivos. Dictionary of the Bible (Dicionário da Bíblia), de James Hastings, declara: “Na aurora da conscientização humana, o homem se viu confrontado com forças que ele não conseguia controlar, e que exerciam uma influência prejudicial ou destrutiva.” A mesma obra de referência diz também: “A primitiva humanidade procurava instintivamente as causas, e interpretava as forças e outras manifestações da natureza como pessoais.”
Segundo alguns historiadores, a crença em deuses demoníacos e espíritos malignos remontam à história primitiva da Mesopotâmia. Os antigos babilônios acreditavam que o submundo, ou a “terra sem retorno”, era presidido por Nergal, uma divindade violenta, conhecida como “aquele que queima”. Temiam também demônios, que eles tentavam apaziguar por meio de encantamentos mágicos. Na mitologia egípcia, Set era o deus do mal, “representado como tendo o aspecto dum animal bizarro, com um focinho fino e curvo, orelhas quadradas, e com um rabo duro e bifurcado”. Larousse Encyclopedia of Mythology.
Embora os gregos e os romanos tivessem divindades benévolas e malignas, não tinham nenhum deus predominantemente mau. Seus filósofos ensinavam a existência de dois princípios opostos. Para Empédocles, eram o Amor e a Discórdia. Para Platão, o mundo tinha duas “Almas”, uma que fazia o bem e outra que fazia o mal. Conforme Georges Minois declara no seu livro Le Diable (O Diabo), “a religião pagã clássica [greco-romana] não conhecia nenhum Diabo”.
No Irã, o zoroastrianismo ensinava que a divindade suprema, Ahura Mazda, ou Ormasde, criou Angra-Mainyu, ou Arimã, que escolheu fazer o mal e se tornou assim o Espírito Destrutivo ou o Destruidor.
No judaísmo, havia uma apresentação simples de Satanás como o adversário de Deus que causou o pecado. Mas, depois de muitos séculos, isso passou a ser contaminado com idéias pagãs. A Encyclopaedia Judaica declara: “Houve uma grande mudança ... nos últimos séculos. Nesse período, a religião [judaica] assumiu muitas tendências de um sistema dualístico, em que Deus e as forças do bem e da verdade estavam opostas no céu e na terra por forças poderosas do mal e do engano. Isso parece ter acontecido sob a influência da religião persa.” The Concise Jewish Encyclopedia (A Concisa Enciclopédia Judaica) declara: “A proteção contra demônios era tornada possível pela observância dos mandamentos e pelo uso de amuletos.”
Assim como o judaísmo adotou conceitos não-bíblicos a respeito de Satanás e dos demônios, cristãos apóstatas desenvolveram idéias antibíblicas. The Anchor Bible Dictionary (Dicionário Bíblico Anchor) declara: “Uma das antigas idéias teológicas mais extremas é a de que Deus remiu seu povo por pagar a Satanás pelo livramento deles.” Essa idéia foi proposta por Irineu. Foi desenvolvida adicionalmente por Orígenes, que afirmou que “o diabo havia conseguido reivindicar legalmente os homens” e que considerava “a morte de Cristo como pagamento de resgate feito ao diabo”.History of Dogma (História de Dogmas), de Adolf Harnack.
Segundo The Catholic Encyclopedia, “por cerca de mil anos [a idéia de que o resgate foi pago ao Diabo] desempenhou um papel conspícuo na história da teologia” e continuou a fazer parte da crença da igreja. Outros Pais da Igreja, inclusive Agostinho, adotaram a idéia de que o resgate foi pago a Satanás. Finalmente, por volta do século12d.C,teólogos católicos Anselmo e Abelardo chegaram à conclusão de que o sacrifício de Cristo não foi oferecido a Satanás, mas a Deus.
Embora a maior parte dos concílios da Igreja Católica permanecesse notavelmente em silêncio sobre o assunto de Satanás, em 1215 DC, o quarto Concílio de Latrão apresentou o que a New Catholic Encyclopedia (Nova Enciclopédia Católica) chama de uma “profissão solene de fé”. O Cânon I declara: “O diabo e os outros demônios foram criados bons por Deus, mas tornaram-se maus por iniciativa própria.” E diz ainda que eles se empenham em seduzir a humanidade.
Esta última idéia preocupava a muitos durante a Idade Média. Satanás estava por trás de tudo o que parecia incomum, como doenças inexplicáveis, uma morte repentina ou colheitas ruins. Em 1233 DC, o Papa Gregório IX emitiu diversas bulas contra hereges, inclusive uma contra os luciferianos, supostos adoradores do Diabo.
A crença de que as pessoas podiam ser dominadas pelo Diabo ou pelos demônios logo deu margem a uma paranóia coletiva —um medo histérico de bruxaria e de feitiçaria. Do século13 ao 17, o medo de feiticeiras se espalhou pela Europa e chegou à América do Norte com os colonos europeus.
Até mesmo os reformadores protestantes Martinho Lutero e João Calvino aprovaram a caça às bruxas. Na Europa, os julgamentos de feiticeiras baseados em meros rumores ou denúncias malignas eram realizados tanto pela Inquisição como por tribunais seculares. Costumava-se usar tortura para extrair confissões de “culpa”.
Os achados culpados podiam ser sentenciados à morte, ou por serem queimados ou, conforme se deu na Inglaterra e na Escócia, por serem enforcados. Referente ao número de vítimas, a Enciclopédia Delta Universal declara: “De 1484 a 1782, segundo alguns historiadores, a Igreja cristã condenou à morte cerca de 300 mil mulheres acusadas de bruxaria.” Se Satanás estava por trás dessa tragédia medieval, quem eram os seus instrumentos — as vítimas ou os seus fanáticos perseguidores religiosos?
O século 18 presenciou o desenvolvimento de idéias racionalistas, conhecidas como Iluminismo. A Encyclopædia Britannica declara: “A filosofia e a teologia do Iluminismo se esforçaram a tirar a figura do diabo da consciência cristã como produto da fantasia mitológica da Idade Média.” A Igreja Católica Romana reagiu a isso e reafirmou a sua crença em Satanás, o Diabo, no Concílio Vaticano I (1869-70), reiterando isso com certa timidez no Concílio Vaticano II (1962-65).
Oficialmente, conforme a New Catholic Encyclopedia admite, “a Igreja está comprometida a crer em anjos e em demônios”. Todavia, Théo, um dicionário francês de catolicismo, admite que “muitos cristãos se recusam hoje a atribuir ao diabo o mal existente no mundo”.
Nos últimos anos, teólogos católicos têm lidado cautelosamente com a situação, equilibrando-se de modo precário entre a doutrina católica oficial e a mentalidade moderna. “A teologia cristã liberal”, diz a Encyclopædia Britannica, “tende a encarar a linguagem bíblica sobre Satanás como ‘modo de pensar imaginário’ que não deve ser tomada literalmente —como uma tentativa mitológica para expressar a realidade e a extensão do mal no Universo”.
A filosofia e a teologia humanas não deram nenhuma explicação melhor para a origem do mal do que a encontrada na Bíblia. O que as Escrituras dizem a respeito de Satanás é fundamental para se entender a origem do mal e do sofrimento humano, bem como o motivo de aumentar a cada ano a pior violência imaginável.

Aparthaid

Estou ficando mesmo velho
Mas, ainda,
sou anti-americano
e anti-comunista.

Sempre acreditei nos muros de Paris – 68.

A Humanidade só será feliz
quando o último capitalista
for enforcado com as tripas
do último comunista.

Sou uma potência explosiva
diluída pela implosão do fracasso.

Viva a minha Tristeza!

Tenho alegria
pelo meu sofrimento.

A Vida transcorre entre o dia e a noite.

Viva Carlinhos Brown!

Tanto por ter dito em praça pública
sobre o Aparthaid da Bahia.

Quanto por fazer Gilberto Gil chorar.

Somos tão estúpidos,
que mesmos botando prá rachar,
ainda, assim mesmo,
estamos morrendo atrás do Trio Elétrico.

Nem aprendemos
o que é do outro lado de lá e o de cá.

E praticamos
com muita naturalidade,
o exercício da exclusão social,
com a desigualdade do dinheiro.

Isso é até muito natural!

Não é verdade, Caetano ?

Viva a minha Tristeza!

Tenho alegria
pelo meu sofrimento.
A Vida transcorre entre o dia e a noite.

Talvez, por isso,
eu estou ficando tão velho.

Como dizia Cássia Eller
na canção de Cazuza:

Pois sou criança não conheço a verdade.
Eu sou poeta e não aprendi a amar.

Abaixo o Aparthaid do Mundo.

Intolerância

Eu não tenho a visão americana
sobre a vida

e muito menos
a visão muçulmana sobre a morte.

Abomino
essas visões intolerantes
sobre a visão da guerra das civilizações.

A sociedade de consumo é uma farsa,
dos mais fortes contra os mais humildes,

e o farsante é um gigante intolerante
que esmaga pela angústia,
a agonia da vida e da morte.

A fotografia da realidade.

Eu tenho a visão realista sobre a vida
e muito mais a visão metafísica sobre a morte.

Abomino
essas visões intolerantes
sobre a visão da guerra das civilizações.

A sociedade de consumo é uma farsa
dos mais fortes contra os mais humildes,

e eu sou um farsante tolerante
que esmaga pela agonia,
a angústia da morte e da vida.

A realidade da fotografia.

Por isso quero ver
os Filhos de Ghandy
descer na terra do carnaval
no coração da Bahia.


Destruição em Massa.


Não quero mais pensar na Alemanha Nazista,
nos campos de concentrações,
no holocausto da Humanidade,
nas experiências sinistras de Mengele e Goebbels.

Não quero mais pensar no Estado III Reich,
e em homens como Adolf Hitler e da Gestapo.
Em Varsóvia, em Auschwitz, em Paris, em Londres,
em Stalingrado, em Dresden, em Berlim, em Roma,
em Hiroxima, em Nagazaki.

Não quero mais pensar na União Soviética stalinista,
na Itália fascista, na Espanha franquista,
no Japão imperialista e na Inglaterra,
nos Estados Unidos da América liberalistas.

Não quero mais pensar na Bomba Atômica.

E em homens como J.Robert Oppenheimer
do projeto Manhattan.


Violência

O caos no futuro será tão violento,
que Woodstock será uma romântica lembrança
de uma Juventude em busca da felicidade.

O caos no futuro será tão violento,
que o 11 de Setembro será
um simples jogo de vídeo game
entre terroristas e heróis patrióticos americanos.

O caos no futuro será tão violento,
que os tsunamis e os katrina, rita e wilma,
serão apenas mudanças climáticas naturais,
que quando no futuro,
a natureza vai revelar ao mundo a Ira da Natureza.

O caos no futuro será tão violento,
que o X da questão da vida humana
será a pessoa desesperada
que não sabe esperar pela violência da Morte.

O caos no futuro será tão violento,
que atualmente,
eu não acredito em mais nada.

Não acredito na direita, no centro e na esquerda.
Eu não acredito
no jornal, no cinema e na televisão.

Eu não acredito
no Lula, no Bush, no Tony Blair,
no Fidel Castro, no Paulo Maluf, no José Serra,
no Hugo Cháves, no Silvio Santos,
no Osama Bin Laden.

O caos no futuro será tão violento,
que atualmente,
eu não acredito em mais nada.

Eu não acredito
no mundo gay, no mundo feminista e machista,
no mundo capitalista e socialista,
no mundo da celebridade e da desigualdade.

O caos no futuro será tão violento,
que atualmente,
eu não acredito em mais nada.

Eu não acredito
na justiça, na política, na religião,
na economia de mercado e na mídia.

O caos no futuro será tão violento,
que atualmente,
eu não acredito em mais nada.

Eu não acredito
no neo-liberalismo e no neo-pentecostal.
No Padre Marcelo e no Edir Macedo.
No Bill Gates e no Papa Pio

O caos no futuro será tão violento,
que atualmente,
eu não acredito em mais nada.

Eu não acredito
na Xuxa, no Michel Jackson, na Hebe Camargo,
no Marcos Valério, no Roberto Jefferson,
no José Dirceu, na Glória Perez, no Paulo Coelho,
no Saddam Houssein e na Condolezza.

O caos no futuro será tão violento,
que atualmente,
eu não acredito em mais nada.

Eu não acredito
na psicanálise, na sociedade de consumo,
no bissexual, na auto-ajuda e na aposentadoria.

O caos no futuro será tão violento,
que a nuvem radioativa de Hiroxima
será uma simples nuvem passageira
de uma manhã quente de primavera.



Fim do Mundo

O Fim do Mundo ronda pelo Mundo,
mas o que mais me interessa,
é andar pelas ruas
cumprimentando as crianças.

Fico fascinado
pelo olhar perdido das crianças.

Elas vêem a Vida com mais clareza.

Clareza que não é vista pela discriminação humana,
o que vemos é a escuridão pelos negros,
pelos índios, pelos mestiços, pelos asiáticos,
pelos latinos, pelos judeus,pelos muçulmanos,
pelos africanos, pelos pobres, pelos excluídos...

É muito claro que a Bomba
já está pronta para explodir.

Ainda bem que eu conto com a coerência
do Chico Buarque e do Bob Dylan.

Apesar do ser humano não ser infalível!

Não existe mais existencialista
do que o Zeca Pagodinho:
- Deixa a vida me levar.

Leva eu!

E na relatividade dos fatos cotidianos,
quando os assuntos das telenovelas
são capas dos jornais,
faz-me lembrar do Marquês de Sade, que dizia:

- Não há esperança alguma para a Humanidade.
A extinção da espécie,
por ele era considerada inevitável
devido ao poder auto-destrutivo da Humanidade.

Quem sabe os atores e atrizes das telenovelas
poderão interpretar os papéis reais,
com muita choradeira e muito histerismo,
que são os pontos aclamados pelo Ibope.

Afinal, a utopia da televisão,
faz-me lembrar do Cazuza, que dizia:
- As idéias não correspondem aos fatos,
eu vejo o futuro repetir o passado
e diga-me quando for a hora.

O Fim do Mundo ronda pelo Mundo,
mas o que mais me interessa,
é andar pelas ruas
cumprimentando as crianças.



Alienação

Segundo,
um brother de Monte Verde,
Mário do Star Bar,
disse-me que a Coca-Cola
faz parte da guerra
bio-química-bacteriológica,
que tem a capacidade
de exterminar a Raça Humana.

Se caso for acrescido
algum veneno letal
na sua fórmula misteriosa,
quem sabe um destruidor
da genética embrionária
ovulante-espermatozoíco.

Serão necessários quinze dias
para exterminação mundial,
quase total.

A Coca-Cola é semelhante
a um celular.
O que era um simples telefone,
tornou-se um poderoso
instrumento digital
do desejo da psique humana
para estar integrado no Aqui e Agora.

O avanço
de um Mundo Inócuo
no vazio incrédulo
da existência nauseante
de absurdas informações
que levam ao Nada.

Nada é igual ao Nada!

E nada
pode ser as bobagens
que são escritas
sobre Jesus Cristo.
E eu poderia fazer
um livro para ficar milionário,
se discursasse
de que Jesus e os apóstolos
eram uma comunidade gay.

Seria a polêmica
para tornar-me uma efêmera
celebridade
da filosofia holística
como Dan Brown.

Teria tamanho para qualquer medida.

A igreja católica
excomungaria a minha pessoa eternamente.

A igreja neopentecostal
afirmaria de que seria o filho de Satã.

Mas defenderia-me
de que estaria em momento de reflexão
de uma destruturação
de personalidade kafkaniana
da própria reflexão!
Seria a agonia múltipla
da desintegridade dos átomos.

E teria um chip
sintonizado no cérebro eletrônico,
devido a isso
a minha alma
estaria no Purgatório
da Fama.
E quem sabe num futuro longínquo
Seria a mórbida lembrança
Do meu tempo.

O tempo do Nada!


Fundamentalismo


Vivemos a cultura apocalíptica
de Jesus Cristo.

Ele está chegando para a Salvação.

Católicos, crentes, evangélicos, neo-pentecostais,
apostólicos, fundamentalistas,
buscam a Salvação dos Pecados,
neste Mundo na beira
de uma Guerra Nuclear,
pela intolerância política
do Neo-liberalismo
e das religiões monoteístas semíticas.

São as classes A–B–C-D
que sustentam
a indústria mercadológica
de Jesus,
igrejas, rádios, cantores, shows, feiras,
dízimos, camisetas, adesivos, chaveiros,
contabilidade não-contabilizada,
isenção de impostos,
líderes fanáticos,
e presença garantida na Câmara e no Senado
e Governo de Estado.

Jesus Cristo,
Pastor do Oriente Médio,
quando a mais valia era as ovelhas,
em que a História materialista
entende que o mesmo era
um conspirador
do sistema escravagista da Antiguidade.

Atualmente,
a mais valia é um barril de petróleo
e pertence ao irmão de fé,
o muçulmano.
Os Filhos de Alá.

Então,
entende-se
a Guerra Santa.

Vivemos a cultura apocalíptica
de Jesus Cristo.

Ele está chegando para a Salvação.

Os seguidores de Jesus
Somente acreditam num único livro,
A Bíblia.
A antropologia da Antiga Mesopotâmia.
O resto é Lixo!

A ciência humana
não tem o menor significado.

Jesus
é uma marca registrada
pelo marcatismo
para combater a luta de classes.

Seus consumidores fiéis
advogam a teoria da Prosperidade
do Liberalismo de Max Weber.

Uma indústria da fé
que capitaliza montanhas de capitais,
livre na usura e sem pecado.


Vivemos a cultura apocalíptica
de Jesus Cristo.

Ele está chegando para a Salvação.

Este é um slogan
que provoca indagação,
salvo com a vida ou com a morte.

Por que
com a vida,
o telescópio Hubble
não registra no céu infinito
os espíritos humanos
salvos
no vazio do Cosmos.

Por que
com a morte,
ninguém sabe nada!

O que sabemos
é que Jesus
tinha como causa
de ser um ativista
contra a exclusão social
dos pobres, dos oprimidos e dos escravos
pela Teocracia Hebraica e a República Romana.

Clamo por aqueles
que não acreditam em falsas promessas
de um Mundo melhor.

O Imaginário Mundo da Realidade
Com a Realidade do Mundo Imaginário.

Eu não sou Bety Davis
E muito menos Boris Karloff.

Sempre amei
Greta Garbo e Marylin Monroe.

Eu não sou a bruxa
da Branca de Neve
E muito menos o Minotauro
Sacrificando as minhas amadas Lolitas.

Sempre amei
Catherine Deneuve e Brigitte Bardot.

A minha intriga é o senhor Hitchcock
com sua maldade criminosa Shakeperiana
de um Mundo Perdido como Blade Runner.

A minha satisfação
é Dom Quixote de Cervantes,
ele é igual a um Rolling Stones.

O Mundo melhor não existe,
o que existe é o mundo
como ele é.

E só lembrar de Nelson Rodrigues!

Vivemos a cultura apocalíptica de Jesus Cristo.

Com amor e ódio.
Com paz e guerra.
Com abnegação e ambição.
Com a temperança e soberba.
Com o despojamento e apego.
Com a alegria e tristeza.
Com a plenitude e depressão.
Com satisfação e inquietação.
Com prazer e dor.
Com nascimento e morte.


Terceira Grande Guerra Mundial

A questão da Terceira Grande Guerra Mundial
não é um assunto resolvido.

Muito menos,
esquecido pela Guerra Fria.

As bombas nucleares existem,
as armas de destruição em Massa existem.

As armas biogenéticas existem.
As armas das ideologias existem.
As armas da Mídia existem.
As armas do fanatismo existem.
As armas do Aparthaid existem.

Isto não é ficção.
Isto é fato!

As armas dos transgênicos existem.
As armas do petróleo existem.
As armas da Fome Mundial existem.
As armas do Narcotráfico existem.
As armas do Mercado Negro existem.

Isto não é ficção.
Isto é fato!

As armas dos homens-bombas existem.
As armas do Aquecimento Global existem.
As armas do Efeito Estufa existem.
As armas da Economia de Mercado existem.
As armas do Terrorismo existem.

E os fatos
comprovam que
políticos inescrupulosos vivem.
A fórmula é muito simples:

Crescimento populacional desordenado.
Avanço tecnológico
nos meios de produção em alta escala.

Classe política corrupta no Poder.
Desigualdade na distribuição de renda.
Falência existencial.

Produto final
Terceira Grande Guerra Mundial

Como explicava Einstein:
A Terceira Grande Guerra Mundial,
eu não explico,
mas a Quarta será de pau e pedra.

Sugiro que ao invés
de estudarmos o Código da Vinci,
devemos estudar
o Código do Neo-liberalismo.

Isto não é ficção.
Isto é fato!


Rebeldia Dylanesca


A cada palavra
escorre uma lágrima,
algo que não se sabe
através do mundo.

Talvez
eu morra na encruzilhada,
no coração dos homens,
mesmo sendo um homem
de uma tristeza permanente,
com sangue nas folhas e raízes,
no jardim da casa do sol nascente.

Tenho que morrer
nas minhas pegadas,
porque tudo é insano!

E a resposta está no vento.

Tenho que andar
em muitas estradas
até me entender
como homem.

E não me adianta
perguntar nada,
tudo é insano!

Eu tropeço em montanhas,
nado em mares de mortos,
a chuva forte
já está caindo.
As minhas mãos estão vazias
e os meus pés estão na lama.

Estou sozinho
entre os Senhores da Guerra,
que durante a pálida tarde,
fabricam bombas para matar.

E nem os direitos civis
conseguem deter
a fúria
destes Senhores da Guerra.

Quem dirá eu?
Espero que a resposta
seja assoprada pelos ventos.

As armas estão escondidas
no escuro da noite,
e o tempo passa
e acaba com todos os meus sonhos.
Tudo é insano!

Os homens deveriam ser iguais.

A chuva é forte.
Nem os sinos das igrejas
terminam com os trovões.

Não estou com sono
e não tenho para onde ir,
somente o eclipse do sol
é a minha estrada.

Sou uma pedra sem destino
que tem que mendigar
a próxima refeição.

Senão, eu não vivo!

O céu está dobrando sobre mim,
preciso acender um fósforo,
e por conta própria
começar tudo de novo
na ventania do meu tempo.

A cada lágrima
escorre uma palavra,
algo que não se sabe
através do mundo.